CAPÍTULO 86

- O QUÊ? – eu praticamente gritei, colocando a mão no peito e andando de um lado para o outro. Já sentia minha respiração acelerada, quase ofegante.

- Não queria te falar por telefone, mas achei melhor antes que voc…

- TO INDO PRA CASA DELE AGORA – eu disse já caminhando até o quarto e alcançando meus converses que havia jogado perto do armário.

- Não, não, não… Cissa, eu vou te buscar, pelo amor de Deus, fica aí, eu to indo te buscar.

- Phil por favor diz que vocês tão brincando comigo – eu disse já com a voz chorosa – Por favor…

Pude ouvi-lo suspirar forte mais uma vez do outro lado da linha, e desliguei o celular rapidamente. Saí pelo quarto procurando peças de roupa decentes, já grunhindo de dor e chorando forte. Peguei minha bolsa e desci, esperando por Phil no portão do prédio.

Quando avistei seu carro apontar na esquina da rua, comecei a andar rápido em sua direção. Ele estacionou e saiu, vindo ao meu encontro imediatamente. Phil me tomou nos braços enquanto eu soluçava.

- O que aconteceu? Onde ele tá? – eu disse entre os períodos de tempo que tentava puxar o ar.

- Calma – ele falou passando a mão por minhas costas. Ele me pegou pela mão e me colocou dentro do carro, sentando-se em seguida no banco do motorista.

- Me diz logo – eu consegui balbuciar novamente.

- A gente não sabe direito o que aconteceu. Ele voltou pra casa e foi levar a Lara, depois disso recebi uma ligação dos socorristas. Eu fui até o hospital, mas ele tava na sala de cirurgia.

Levei as mãos à boca e chorei mais alto. Isso só podia ser um pesadelo. Como, por Deus, há poucas horas atrás eu estava abraçando-o e agora ele estava em uma sala de cirurgia?

Seguimos até o hospital em que Bruno foi levado, e eu sentia como se tivesse um buraco no meio do peito. Sabe quando fica uma sensação esquisita, quase como uma pressão forte que não te deixa respirar direito?

- Onde tá Julian? – eu perguntei baixinho, completamente retesada com os últimos acontecimentos.

- Urbana tá com ele lá em casa junto com os meninos, pode ficar tranquila – assenti levemente com a cabeça e fitei o nada por longos minutos durante o caminho até o hospital. Minha cabeça trabalhava com tanta rapidez que eu nem conseguia organizar meus pensamentos.

Avistei uma pequena multidão à frente do hospital em que Bruno estava quando Phil entrou com o carro no estacionamento. O nó em minha garganta só aumentava, junto com meus batimentos cardíacos, conforme eu via os flashes se batendo contra os vidros do carro e pescoços curiosos esticando-se para poder tentar descobrir quem estava dentro do veículo.

Esperei Phil descer e ir até meu encontro no banco do carona. Ele abriu a porta e me ajudou a descer, passando um dos braços por minha cintura rapidamente e tentando me proteger de todas aquelas pessoas amontoadas na porta da área de emergência. Isso não pode tá acontecendo.

Segui com ele até uma ala separada do hospital, uma sala pequena e branca, com poucas cadeiras espalhadas e uma grande TV pendurada à parede. Ele me ajudou a sentar e buscou um copo de água, tentando me deixar mais calma para as notícias que iria receber em seguida.

Senti meus olhos arderem e coloquei uma de minhas mãos em meu peito, respirando profundamente diversas vezes, numa tentativa frustrada de fazer com que a minha tremedeira e meus batimentos cardíacos diminuíssem pelo menos um pouco.

- Eu preciso ver ele – falei baixinho depois de não sei quanto tempo. Phil se levantou e seguiu até a sala ao lado da que estávamos, deduzi que ele havia ido procurar alguém para trazer mais notícias.

Pouco tempo depois, um senhor alto e grisalho vestido de branco adentrou o cômodo, me fazendo levantar rapidamente, enxugando os olhos com as mangas de minha camiseta.

- Boa noite Cecília – ele disse me esticando a mão esquerda – Então você é a mãe do filho do Sr. Hernandez? – assenti devagar com a cabeça apertando sua mão de leve – Sente-se aqui, vou te explicar qual é o estado de saúde dele.

Voltei a sentar-me na cadeira, esfregando as mãos em meus jeans nervosamente, esperando por notícias positivas. Phil ficou ao meu lado e eu observei enquanto o médico tirava de uma pasta alguns exames e papéis de raio x.

- Bom – o doutor voltou a dizer – O Sr. Hernandez sofreu um acidente grave esta noite, pelo qual o veículo em que ele dirigia se chocou contra um ônibus numa via rápida – arregalei os olhos e senti Phil segurar uma de minhas mãos com força – O lado do motorista, o que Bruno estava, foi o que bateu contra o ônibus, fazendo com que ele fosse atingido fortemente. Ele ficou com várias escoriações nos braços e rosto, devido aos estilhaços de vidro, quebrou uma das costelas do lado esquerdo do corpo e também a perna, na altura da canela, deste mesmo lado. Esta última fratura nos fez levá-lo ao centro cirúrgico, visto que ele já havia perdido bastante sangue quando foi socorrido – a essa altura das novidades eu já tinha voltado a chorar como uma criança, mas deixei com que o médico continuasse – Ele também bateu a cabeça, teve um pequeno traumatismo, o que nos fez colocá-lo em coma induzido.

Abracei Phil com força e encostei a cabeça em seu peito, completamente atordoada. Dr. Carly, o senhor grisalho que me explicava com a maior calma do mundo o estado grave em que Bruno se encontrava, me mostrou alguns exames e tentou me tranquilizar, obviamente não obtendo nenhum sucesso. Depois de muito implorar, finalmente consegui uma autorização sua para visitar Bruno por alguns minutos, sozinha.

Pisei no quarto e imediatamente ouvi aquele bip da máquina que transmitia os batimentos cardíacos de Bruno ecoar pelo lugar. Eu andei a passos lentos até a cama, travando uma luta interna sem conseguir decidir se queria ou não vê-lo naquele estado. Levei as mãos à boca quando o avistei.

- Meu Deus… – eu disse baixinho para mim mesma por entre meus dedos. Bruno estava sem camisa, com uma faixa ao redor do tronco, um curativo significativo do lado esquerdo a cabeça e a perna engessada. Respirei fundo pela milésima vez naquelas últimas horas. Senti uma dor horrível atingir em cheio meu peito. Sua pele morena, antes perfeita e macia, na região dos braços, peitoral e boa parte do pescoço e rosto estava com pequenos pontos de sangue coagulado, indicando exatamente aonde os estilhaços de vidro haviam o atingido.

Vê-lo naquele estado, frágil, cheio de tubos para ajudá-lo a respirar e máquinas ao redor da cama, era mais desesperador do que qualquer outra situação que eu pude jamais ter imaginado passar em toda minha vida. Me sentir completamente inútil perante aquilo me fazia gritar por dentro, preferindo me colocar em seu lugar só para voltar a ver aqueles olhos amendoados abertos novamente.

Inclinei meu corpo devagar e o beijei com cuidado na bochecha.

- Bruno… – eu disse baixinho rente à sua pele com a voz embargada – Se você puder me ouvir… eu to aqui. Vou sempre estar aqui. Eu te amo.

Rocei meus lábios novamente por suas bochechas e fechei os olhos por alguns segundos, desejando com todas as forças que aquilo não passasse de um sonho ruim.

.

- Vai ficar tudo bem Cissa – Ryan disse passando a mão por meus cabelos me entregando outro copo de água na mesma sala que Phil havia me levado assim que chegamos ao hospital – Brunz daqui a pouco tá botando esse hospital abaixo.

Sorri de leve e bebi um gole da água, deitando a cabeça em seu ombro em seguida. Minha cabeça ainda trabalhava à mil por hora.

- Ryan – eu falei algum tempo depois – E a Lara?

- Ela também tá aqui, mas não sofreu quase nada, só alguns arranhões por conta dos vidros… – ele disse me encarando brevemente.

Forcei minha mente a trabalhar ainda mais rápido. Rebobinei o que Dr. Carly havia me contado a respeito do acidente, o estado de Bruno naquela cama… tudo não fazia o menor sentido. Continuei tentando juntar as poucas peças do enorme quebra-cabeças que eu havia formado em meu cérebro. Flashbacks de Bruno me levando até o apartamento me vieram à mente, o nosso abraço, seu boa noite antes de entrar no carro… as palavras de Phil quando me contou sobre o acidente.

“Ele voltou pra casa e foi levar a Lara, depois disso recebi uma ligação dos socorristas.”

Enquanto eu martelava todas essas informações, vi do outro lado da sala a figura de Lara adentrar o cômodo, seguida por Eric. Ela sentou-se perto da parede e, com o olhar vazio e a cara fechada, cruzou os braços rente ao corpo, deixando a mostra alguns pequenos curativos.

Levantei devagar, vendo Ryan fazer o mesmo caminho que eu logo atrás de mim, e parei à frente dela.

- Foi você – eu disse encarando-a nos olhos.

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